Tarde quente no Rio de Janeiro. A cidade continua assustada pelos últimos acontecimentos que houve em Bangú. Um anjo entre nós fazendo justiça. Muita gente morreu inclusive homens da justiça que não compreenderam o poder de um ser sobrenatural. Ele anda entre nós intocável pelas ruas. Poucos atrevem-se aproximar dele para uma selfie por medo de serem julgados ali. Uma senhora aproximou-se com uma criança nos braços pedindo para que seja curado. Ele curou a criança instantaneamente. Mas a mãe... Foi uma cena tétrica. Ele pôs a mão sobre sua cabeça e leu todos os seus pensamentos fazendo ela recordar lembranças reprimidas e disse:
– A criança viverá. Ela tem muito potencial. Mas não será criado por você. Pronta para morrer?
– Eu morro pelo meu filho apesar de ter matado muitas outras crianças. Ele vai ficar bem?
Sem dizer uma palavra, o anjo com nome de homem, Amado, soltou a mulher e afastou-se dela por uns dois metros. Com a mão direita apontada para ela, faz um gesto como se segurasse uma bola invisível. Ele começou a fechar a mão lentamente e a mulher começou a gritar. Depois de alguns segundos a sua cabeça é esmagada por aquela mão invisível. Depois disso ele aproxima-se da criança e a pega pelas mãos e olha para um casal que está próximo. Caminha em sua direção e sem dizer uma palavra entrega este menino. O homem simplesmente acena positivamente com a cabeça e a mulher gagueja:
– Vou cuidar dele como se fosse o meu filho.
Amado põe a mão sobre a cabeça da mulher e essa começa dar pequenos sussurros. Simplesmente ela lembra de todos seus pensamentos reprimidos e chora. Mas logo em seguida ela suspira aliviada e olha para o anjo e diz um muito obrigada.
Amado caminha lentamente em direção a favela. Sua parte homem adorava fazer aquelas longas caminhadas que estava privado de fazer nos 2 anos que estava preso. Seu corpo não se cansava ou sentia o calor carioca. Sua pele morena brilhava sobre o sol e seus olhos dourados pareciam faróis. Seu cabelo crescia rapidamente desde que saiu da cadeia. De um prisioneiro careca, em 27 dias ele já tinha um cabelo cacheado que se esticado um dos fios perto da fronte ele alcançaria a ponta do nariz. Um rapaz magro e cheio de feridas estava com o corpo fortalecido a cada dia sem nenhuma cicatriz exceto uma na coxa esquerda que foi provocada pela própria espada que ele invocava. A espada que era de seu inimigo que iria executá-lo na prisão. Essa história será contada em outra oportunidade.
O anjo estava a poucos metros da entrada da favela. Quem o reconhecia das mídias de notícias se afastava prontamente. Mais alguns passos ele entra em um bar. Senta em mesa num canto e olha para dono do estabelecimento e aponta em direção do refrigerante de Coca-Cola. Ficou bebendo lentamente seu refrigerante enquanto assistia a TV. Seu time de homem perdia de 3 a 0. Ele era Madureira por causa de seus pais de criação. Um pensamento ruim veio em sua cabeça. Pensou em coagir todos os adversários de seu time a entregar e assim finalmente ver seu time campeão. Mas o pensamento fez materializar uma adaga em sua mão direita. Ele esticou a mão esquerda sobre a mesa e esfaqueou-a 3 vezes. Logo em seguida a faca desaparece enquanto sua mão ia cicatrizando lentamente. Era muito poder que circulava em seu corpo. Às vezes indagava se todas as mortes que ele provocou eram realmente necessárias. Com todo aquele poder ele poderia subjugar o país inteiro aos seus pés. Mas claro que tal atitude despertaria uma legião de anjos que iria matá-lo. Era novo no negócio e se sentia como uma criança sem medo com uma metralhadora na mão.
Poucos homens ficaram no bar. Boa parte não devia nada a ninguém. Eram considerados homens de bem segundo a lei do morro. Mas o barman estava inquieto. Ele pressentia que algo ruim poderia acontecer ali. De repente o bar silencia. Entra no estabelecimento uma mulher negra de cabelos naturalmente lisos e bem compridos. Estava com uma camiseta regata branca, calça jeans com rasgos nas coxas e andava descalça nas pontas dos pés como se estivesse andando na areia da praia. Aproximou-se de Amado e falou:
– Então você é o novo anjo. Um híbrido. Papai além de amar muito os seus macacos agora promove-nos em anjos. Você é bonito. Não é que eu gostei, hein?
Amado olha para ela e sua memória de homem não consegue lembrar o nome dela. Mas sua metade celestial aos poucos ia invadindo sua mente até que lhe veio uma palavra:
– Lilith. O que faz aqui?
– Eu quero de sempre. Quero sexo. Vou subir esse morro mais tarde porque eu quero beber, dançar e transar com os homens e mulheres que eu escolher. Ah... Faz tempo que não fico grávida. Fiquei chocada por tantos filhos meus que você e Mraz mataram. Vou ter que transar muuuuito. Bem que você poderia ser o pai de um deles, primo.
- Pena que nenhum de nós tem permissão para matá-la, Lilith. Seria um prazer.
– Pois é. Justiça do papai. Você pode matar esses macacos que nos adoram em seus rituais sangrentos e no entanto não pode matar eu que sou uma das genitoras de demônio. O mal tem que ser arrancado pela raiz. Ou será que não sou tão má assim? Ah ah ah ah ah.... Meu lindo. O que você veio fazer aqui? Papai permitiu seus anjos a fazerem anjinho também ou veio matar mais alguns?
Amado olha profundamente para Lilith. Sua parte humana e ainda confusa sabe perfeitamente que teria se entregado aos seus braços. Sua parte humana e virgem adoraria ter tido sua primeira experiência com ela.
– A vingança foi-me concedida, Lilith. Posso matar o homem que matou meus pais e incriminou-me. Ambas as partes de mim querem essa vingança.
Ela ficou olhando para Amado. Milhares de anos ela presenciou a vingança. Depois de contemplá-lo começaram a falar sobre vários assuntos aleatórios. Ela bebia uma batida de limão enquanto ele consumia sua segunda Coca-cola. Até que os olhos de Lilith pararam num homem que adentrava o bar. Um homem pardo de cabelo descolorido e muito forte. Seu sorriso encantou Lilith e ela falou:
– Eu acho que seu homem entrou, primo. Que desperdício se for ele.
O homem olhou para todos no bar e ficou alguns segundos contemplando Lilith e alguns momentos também em Amado que não lhe era estranho. Aproximou-se do balcão e pediu o de sempre: Pinga com energético e gelo.
Lilith conversava com os olhos com Amado. Ele percebeu o que ela queria. e disse:
– Pode ficar com ele. Mas vai morrer hoje.
Ela sorriu para Amado e completou:
– Vou fazer uma proposta. Eu quero muito este homem numa cama. E depois de ter conseguido o seu sêmen dentro de mim, prometo devorá-lo em sua homenagem. Devorar bem devagar parte por parte de seu corpo até seu sangue ser todo meu. Eu prometo ainda jogar seus restos para os cães. Posso?
Amado terminou seu refrigerante, levantou-se e disse:
– Ele é todo seu.
Caminhou em direção da porta sem olhar para trás e desceu o morro. Queria ver o reflexo da Lua no mar como fazia com seus pais adotivos. Ficaria muito tempo ainda na Terra até adaptar-se aos seus novos dons. Sabia que mataria muita gente ainda. Era apenas um treino até a volta de Mraz, seu protetor.
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